quinta-feira, 5 de março de 2015

Fins, buracos e recomeços.

Não precisa falar mais nada. Nós dois sabemos que o você vai falar já não muda o que eu sinto. Você ainda tenta porque sabe quantas vezes esse seu olhar e suas sinceras desculpas e promessas me fizeram adiar o que nós dois já esperávamos. Eu não posso responder as suas perguntas sobre superação, esquecimento e dor. Eu passei por todos esses estágios quando ainda estávamos juntos e só você não percebeu. Ou percebeu e tentou ignorar. Eu ignorei durante meses até finalmente aceitar o que eu deveria fazer. E eu sinto muito.
Sinto por ter guardado tudo dentro de mim e nunca ter te mostrado ou demonstrado que não havia mais um nós. Havia um eu muito sozinha e pensativa, e um você que não via o que estava acontecendo. Havia uma vontade de te gritar tudo o que você deveria saber, e a quase certeza de que o silêncio era o melhor nessas ocasiões. Quando eu senti que terminou, me apeguei a você por costume. Não queria deixar ir, não queria ser o motivo de sofrimento, sair com as mãos sujas de um amor que já não era mais puro. E continuei sabendo onde exatamente iríamos terminar.
Não procure um motivo, solução, o que poderia ter feito para o nosso bem. Quando tomei minha decisão, você já não era mais bem vindo. Não adiantaria flores, surpresas, música romântica, cartas a próprio punho ou uma viagem para Paris: eu já não te queria mais. Era o meu momento de florescer de novo. Fiz a cova do nosso amor no momento em que me despedi de você. Fui rápida e estridente. Talvez tenha feito da maneira errada, me perdoa. Só que chega um momento em que é necessário arrancar o band-aid de uma vez e deixar o machucado respirar. Eu era o curativo, você é a dor que não sara.
Você me olha como se eu tivesse saído leve e sem sofrimentos. E sim, me curei enquanto ainda estávamos juntos. Me distanciei aos poucos de você, fui matando a raiz do sentimento que cultivava e continuei do seu lado por amizade ou qualquer outra resposta que você precise agora. Quando reparei, estava limpa e pronta para encarar o que a vida me desse. Passei meus meses de reabilitação justamente do seu lado, me livrando do vício e te dando adeus aos poucos. Então você já não estava mais aqui.
Preciso pedir desculpas por te deixar viver uma solidão á dois. Quando meu coração se sentiu pronto para dar voltas por outros jardins, eu simplesmente soltei a sua mão. Como uma criança que deixa o balão ir embora e nem percebe. Nós dois nos perdemos nessa montanha russa da vida, encaramos as filas diferentes e não sentimos quando a diversão acabou. Espero que o nosso fim seja o teu recomeço.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Eu nunca mais ouvi Los Hermanos.

Eu já fiz um milhão de coisas pra algum cara gostar de mim. Mudei cabelo, modo de vestir e até parei de usar maquiagem. Aprendi a cozinhar, e ouvi certas músicas. E foi pro você que escutei Los Hermanos. Sim, admito que já conhecia algumas músicas. Mas nada além de Anna Julia. Me fantasiei de descolada, citando trechos que ouvi no dia anterior. Andava de modo diferente, agi como você iria gostar. Nada adiantou.
Com você, alem das músicas, aprendi que não posso agir desse jeito pra sempre. Que se o meu sorriso real já não te era interessante, porque eu mudei todo o resto? Eu tentei conquistar você. Fiz seu jogo. Fui de sedutora a melhor amiga. Stalkeei seu Facebook, encarei suas ex namoradas, compartilhei cada uma das suas músicas favoritas como se fossem as minhas. E a cada atitude, me senti ainda mais longe.
Você me pediu um tempo. Tempo que teve durante todo o nosso "não-relacionamento". Cantei Sentimental sozinha, outra vez ("Eu sei, não é assim. Mas deixa eu fingir..."). Nunca pensei que gostaria do estrago, mas agora te agradeço. Não que eu tenha sido feliz cantando o que hoje já nem quero mais ouvir. Só percebi que ninguém precisa me ver na fila da pão e saber que te encontrei. Esse era apenas o começo do fim do meu sentimento por você. Não haverá avenidas ou praças, cinemas ou bares. Só um eu e um você, distantes. Separados.
Eu nunca mais ouvi aquela música sobre repousar meu amor. Pois maior que o amor foi a minha vontade de ser feliz. Agora, ando levando minha vida bem devagar, não faltando amor. Próprio. Foi você quem me afastou com golpes de pincel. E eu? Trouxe flores para mim. Encontrei um amor quando não queria, e não é clichê. Agora tenho a alegria de olhar um sorriso e o ter sempre do meu lado. Alegria de estar junto a ele, e sermos namorados.
Nós nunca mais ouvimos Los Hermanos.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

A Lady por trás da Cortesã.

Ela te olha. Tem um "quê" de mistério por trás desse sorriso não tão enigmático. Sinto até um pouco de tristeza nesse olhar compenetrante. Você não tem a mínima noção das coisas que ela pensa, mas acha que é o básico. Sempre tão bem arrumada, você só imagina que ela se preocupa com maquiagens, bolsas e roupas. Com as unhas quase sempre bem pintadas, você pensa que, enquanto está longe, ela está escolhendo seu esmalte para o próximo encontro. Ledo engano, meu rapaz.
Por trás deste olhar provocante, existe um milhão de questões filosóficas sobre a arte. Enquanto ela ri sem vergonhas, está pensando na próxima estrofe de seu poema rotineiro. Você se perdendo em seu decote, e ela divagando sobre questões comportamentais da sua espécie. Não parece, mas tem muito mais por trás de tanta pseudo vulgaridade.
Você pensa que ela só está preocupada com sua casca, mas não percebe o quanto ela se esforça para que tenham assuntos em comum. Não sente que ela tenta achar um fio de poesia ou filosofia nas suas frases sem nexo. E que, quando você não está olhando, ela romantiza suas atitudes e espera que você ande até ela e a puxe para dançar uma valsa. Não um tango sensual, como lhe seria de praxe.
Não percebe que ela também pensa em encontrar o amor verdadeiro, trabalhar, casar, ter filhos, construir uma casinha e ser feliz com seu único, ao invés de se perder em outros braços. Sim, ela também pensa isto tudo! Mas, assim como você, ela tem um pedaço de gelo no lugar de coração pois também sofreu. Dá pra acreditar que uma mulher com tanto porte e desenvoltura teve seu amor rejeitado?
Você talvez não acredite, mas por trás desta máscara de mulher bem resolvida, jaz uma romântica das mais puras, que usa toda a sua candura fantasiada de amargura, para poder seguir firme e forte, sem cair nos buracos da vida.
Mas desculpe, meu amigo. Enquanto você se permitir acreditar na superfície das coisas, sem tentar descobrir o que há por trás de tanta maquiagem e falsa descrença no amor, você não terá a sensação de possuir uma mulher de verdade ao seu lado. Possuir sim, em todos os sentidos desta forte palavra. Ter ao seu lado por cinco minutos, ou até quando você cansar, sem nem fazer o mínimo esforço para desvendar seus segredos, não significa possuir.
Para possuir uma mulher de verdade, somente sendo um homem de verdade. Enquanto você não é, continue só a observando sumir.



quarta-feira, 10 de abril de 2013

Blitzkrieg.

Blietzkrieg - do alemão: lit "guerra relâmpago"
O sol encontrou sua pele e meu sorriso foi quase instantâneo. Difícil esconder, por mais que use minhas forças e faça qualquer coisa para mudar de assunto, a rota, o foco. Só que meus olhos ainda não aprenderam a não brilhar na sua presença, nem os meus lábios conseguem se conter, o que deixa extremamente claro coisas que escondo até de mim mesma. Sinto como se meu corpo não respondesse mais ao meu chamado. Sou toda uma rebelião. Meus sentimentos querem falar por mim.
Te vejo sentado, e a guerra interior se inicia. Meu coração e sua bomba hidráulica, e me sinto em Hiroshima. A língua enrolando, querendo me transformar numa kamikaze. Meu sorriso fácil, confessando meus crimes para o juiz que dará a sentença final. Sou um tanque de guerra, explodindo e atirando para todos os lados. Inicio uma luta contra este estado de paixão que quer se tornar independente de minhas próprias vontades. Ou melhor, minhas vontades estão querendo liberdade para tomarem rumos desconhecidos.
E eu sou a ditadora. A repressora que se mantém regrada, tentada, e calada. Esperando sempre. Tomando nota de todas as atitudes, pondo meu exército para vigiar e aguardando a certeza da conquista. Me sinto uma pecinha num tabuleiro de War, sendo comandada pelo Sr. Destino. E, pelo rolar dos dados, a sorte (ainda) está do meu lado. Me ajuda a conquistar o ocean(ia)o do teu coração?