sábado, 28 de março de 2015

Calmaria.

Me desculpa arrombar a porta, invadir pela janela e gritar aos quatro ventos, mas estou apaixonada por você. E sou dessa forma mesmo, o mais intensa que você pode imaginar. Vou falar que te amo quando você estiver despreparado. Vou me espalhar pelas tuas coisas, vestir suas roupas, perfumar os teus dias. Quero ser tua companhia pra filmes, coberta pros dias frios, refrescante no calor, teu travesseiro, estrela cadente e puro amor.
Vou lotar sua caixa de correio, falar sobre a gente em todos os meus poemas. Beijar tua boca com vontade e me deixar nua de receios. Vem que a estrada é longa e cheia de incertezas, mas vou te proteger de cada terremoto. Abaixo a voz pra não brigarmos, mas não duvide quando falo o que me machuca. Posso ser uma catástrofe ou a estrofe mais bonita, depende de você.
Me veja com bons olhos, entenda minha insegurança. Vou querer me encaixar nos teus braços quando o mundo estiver me esmagando. Não precisa falar nada, só me beija que tudo passa, fico mais forte pra encarar a vida. Do seu lado tudo fica bonito. Os dias estão mais leves, o universo tem conspirado. Então continua aqui que vamos aparando as arestas, consertando em conversas e enchendo nossos corpos de amor.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Vem cá, meu bem.

Pode se acalmar. Não vou tomar nenhuma atitude desesperada pra que você volte, e nem pra te fazer ficar. Eu não sou assim. Prefiro te dizer discretamente que bem, você podia ficar mais um pouco porque eu somente quero te fazer feliz. E seria legal dividir a vida com você. Não precisa ser pra sempre, não acredito no infinito. Mas poderíamos ser duráveis. Você podia segurar a minha mão para atravessar a rua, e dizer que sou tudo o que você sempre quis. Não precisa ser verdade. Fui acostumada com as maiores mentiras, pequenas assim nem me afetam mais. Você pode descobrir que eu sou bem menos forte do que aparento por aí. Que quando você não está vendo, escrevo histórias, poetizo teu sorriso, escolho meu vestido branco e lugar de cada um dos nossos convidados. Sou mais intensa e menos insensível. Tenho um coração que digo por aí que é de gelo mas, mesmo se fosse, derreteria todo por você. Na verdade, é de vidro. Todo remendado e vez em quando uma parte se solta e eu fico confusa, e tenho medo, e choro muito. Mas eu meio que conseguiria me acostumar se o teu beijo pudesse colar tudo no lugar. Sendo sincera, eu sinto que você me renovou e essas peças soltas são defeitos de fabricação e entendo a sua devolução. Mas tenta outra vez. O que está quebrado só faz um barulhinho chato, vez em quando. Mas funciono muito bem. Pode apostar.
Todas as massagens, beijos, cafunés e conchinhas foram sinceras. Eu não tenho medo de quase nada e tive medo de te mostrar o turbilhão de pensamentos que invadem a minha mente e me fazem dizer besteiras. Não pra você. Fui cuidadosa com cada uma das minhas palavras. Falei depois de pensar sempre, coisa que ninguém teve a honra. Eu saio falando o que me vem a mente, não tenho um filtro. Mas tenho tanto medo de te magoar que esse filtro surgiu imediatamente no momento que nossos lábios se tocaram pela primeira vez. Eu acho que não quero ficar sem você porque você é tão legal e pela primeira vez alguém me trata bem. Tive medo de falar tudo porque só duas pessoas me aceitaram louca e intensa e essas duas pessoas abusaram disso. Não, eu sei que você nunca faria isso! Mas acho que você entende meus motivos para tomar cuidado.
Você deveria ter alguém que diz todos os dias como seu sorriso ilumina todos os lugares. Como seu olhar diz tanta coisa, mesmo com você em silêncio. Que você é lindo sim, e se alguém disser o contrário manda se resolverem comigo. Que você é um homem incrível, determinado e persistente. Que tem qualidades admiráveis. Que os seres humanos deveriam todos se espelhar na sua força e inteligência. Que você é um príncipe e me trata como a princesa que nunca pensei que poderia ser, já estava acostumada com o papel de vilã. Que qualquer mulher no mundo seria muito honrada de poder andar do seu lado e dizer "ele é meu" e eu adoraria poder ser essa que faria você perceber quão especial você é.
Se quiser, tô por perto. Só chamar.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Fins, buracos e recomeços.

Não precisa falar mais nada. Nós dois sabemos que o você vai falar já não muda o que eu sinto. Você ainda tenta porque sabe quantas vezes esse seu olhar e suas sinceras desculpas e promessas me fizeram adiar o que nós dois já esperávamos. Eu não posso responder as suas perguntas sobre superação, esquecimento e dor. Eu passei por todos esses estágios quando ainda estávamos juntos e só você não percebeu. Ou percebeu e tentou ignorar. Eu ignorei durante meses até finalmente aceitar o que eu deveria fazer. E eu sinto muito.
Sinto por ter guardado tudo dentro de mim e nunca ter te mostrado ou demonstrado que não havia mais um nós. Havia um eu muito sozinha e pensativa, e um você que não via o que estava acontecendo. Havia uma vontade de te gritar tudo o que você deveria saber, e a quase certeza de que o silêncio era o melhor nessas ocasiões. Quando eu senti que terminou, me apeguei a você por costume. Não queria deixar ir, não queria ser o motivo de sofrimento, sair com as mãos sujas de um amor que já não era mais puro. E continuei sabendo onde exatamente iríamos terminar.
Não procure um motivo, solução, o que poderia ter feito para o nosso bem. Quando tomei minha decisão, você já não era mais bem vindo. Não adiantaria flores, surpresas, música romântica, cartas a próprio punho ou uma viagem para Paris: eu já não te queria mais. Era o meu momento de florescer de novo. Fiz a cova do nosso amor no momento em que me despedi de você. Fui rápida e estridente. Talvez tenha feito da maneira errada, me perdoa. Só que chega um momento em que é necessário arrancar o band-aid de uma vez e deixar o machucado respirar. Eu era o curativo, você é a dor que não sara.
Você me olha como se eu tivesse saído leve e sem sofrimentos. E sim, me curei enquanto ainda estávamos juntos. Me distanciei aos poucos de você, fui matando a raiz do sentimento que cultivava e continuei do seu lado por amizade ou qualquer outra resposta que você precise agora. Quando reparei, estava limpa e pronta para encarar o que a vida me desse. Passei meus meses de reabilitação justamente do seu lado, me livrando do vício e te dando adeus aos poucos. Então você já não estava mais aqui.
Preciso pedir desculpas por te deixar viver uma solidão á dois. Quando meu coração se sentiu pronto para dar voltas por outros jardins, eu simplesmente soltei a sua mão. Como uma criança que deixa o balão ir embora e nem percebe. Nós dois nos perdemos nessa montanha russa da vida, encaramos as filas diferentes e não sentimos quando a diversão acabou. Espero que o nosso fim seja o teu recomeço.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Eu nunca mais ouvi Los Hermanos.

Eu já fiz um milhão de coisas pra algum cara gostar de mim. Mudei cabelo, modo de vestir e até parei de usar maquiagem. Aprendi a cozinhar, e ouvi certas músicas. E foi pro você que escutei Los Hermanos. Sim, admito que já conhecia algumas músicas. Mas nada além de Anna Julia. Me fantasiei de descolada, citando trechos que ouvi no dia anterior. Andava de modo diferente, agi como você iria gostar. Nada adiantou.
Com você, alem das músicas, aprendi que não posso agir desse jeito pra sempre. Que se o meu sorriso real já não te era interessante, porque eu mudei todo o resto? Eu tentei conquistar você. Fiz seu jogo. Fui de sedutora a melhor amiga. Stalkeei seu Facebook, encarei suas ex namoradas, compartilhei cada uma das suas músicas favoritas como se fossem as minhas. E a cada atitude, me senti ainda mais longe.
Você me pediu um tempo. Tempo que teve durante todo o nosso "não-relacionamento". Cantei Sentimental sozinha, outra vez ("Eu sei, não é assim. Mas deixa eu fingir..."). Nunca pensei que gostaria do estrago, mas agora te agradeço. Não que eu tenha sido feliz cantando o que hoje já nem quero mais ouvir. Só percebi que ninguém precisa me ver na fila da pão e saber que te encontrei. Esse era apenas o começo do fim do meu sentimento por você. Não haverá avenidas ou praças, cinemas ou bares. Só um eu e um você, distantes. Separados.
Eu nunca mais ouvi aquela música sobre repousar meu amor. Pois maior que o amor foi a minha vontade de ser feliz. Agora, ando levando minha vida bem devagar, não faltando amor. Próprio. Foi você quem me afastou com golpes de pincel. E eu? Trouxe flores para mim. Encontrei um amor quando não queria, e não é clichê. Agora tenho a alegria de olhar um sorriso e o ter sempre do meu lado. Alegria de estar junto a ele, e sermos namorados.
Nós nunca mais ouvimos Los Hermanos.