terça-feira, 4 de setembro de 2012

As coisas não ditas sobre nós dois.



Me deixa pegar um copo de água e a minha bombinha de asma. Tenho tanta coisa pra te falar que posso acabar passando mal, como se tivesse corrido à la Bolt nas Olimpíadas.
Quero começar te dizendo que nosso relacionamento está errado. Não era assim que estaríamos depois de alguns meses e tantas coisas. Você sabe, não quero ser o Tom, em “500 days of Summer”, discutindo por que nós não somos só “amigos”. Mas acho que “amigos” não fazem metade das coisas que fazemos. E se você fosse só meu “amigo”, eu não teria essa louca vontade de dizer “te amo”, que tomo conto de suas redes sociais, e que acho que seu abraço seria um bom lugar para eu me aconchegar, enquanto a chuva não passa.
Então, você me diz que está “solteiro”, e reclama de seu antigo relacionamento, e depois se explica para que eu não tenha ciúmes. E me compara. Não, não diz, mas eu vejo as comparações surgindo a cada 5 segundos. Eu não quero ser comparada a nenhum relacionamento seu, pois nunca consigo te comparar. Eu também tenho medo de quebrar a cara, de ter que parar de sair com os meus amigos, de reclamarem por que saí pra beber uma cerveja. Mas, caramba, em todos esses meses, será que você não conseguiu uma prova de que eu sou totalmente a favor de cada um ter seu espaço? Óbvio que quero acabar meu domingo esparramada nesses teus braços, encostando minha cabeça no teu ombro largo. Mas também quero que você tenha um dia totalmente produtivo ao lado de seus amigos e seus jogos; seus livros e seu estudo.
Eu lembro daquela sua interrupção, daquele sorriso e do primeiro beijo. Lembro quando comecei a te contar tudo sobre mim e, de tão tagarela, você aprendeu tudo tão rápido. Ainda sinto o mesmo medo de quando tudo começou, da incerteza, do que poderia acontecer, do que não aconteceria.  Recordo de quando senti que estava me apaixonando, e o brilho dos teus olhos verdes nas primeiras vezes. E lembro, como se fosse ontem, o nervosismo que senti ao conhecer seus pais. Talvez minha forma de me apaixonar é igual à de uma menininha de 12 anos, que fica nervosa, treme, gagueja, e sonha com seu rapaz.  E o pior, talvez você nem saiba que tenho sonhado e tenho tido vontade de te dizer tantas coisas.
Não vou ser abusada e reclamar do nosso atual relacionamento – amoroso, caso você ainda não tenha percebido. Somos um casal, e você deveria admitir isto. Você é um cavalheiro, não é? Sabe que te quero como meu rapaz e que te respeito como homem, mas ainda insiste em ter esse medo idiota de que eu possa mudar, ou que as coisas vão mudar. Acho que estamos ótimos desta maneira, mas me falta a certeza de que você também me quer da mesma forma, e que não irá mudar de ideia amanhã, como tantos outros fizeram.
Se quiser, tem alguém aqui que adoraria conjugar o verbo amar com você, não implica em saídas com amigos, adora videogames e fica feliz ao ser incluída nestes assuntos, mesmo sendo um tanto noob. Alguém que é sim, meio amarga, meio chata e péssima em apelidos, mas é alguém que adora o seu olhar, sem nem ligar pras cores e que pode trazer um tanto de doçura pra sua vida.
Eu só quero perder o medo de dizer o que eu realmente sinto. E não é falta de confiança, mas faça com que eu me sinta segura e todo o meu coração será seu.


sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Bom Agosto.

(Escrito em 31 de Agosto de 2012 - Que fique de exemplo para os próximos Agostos)

Agosto não tem gosto. Tem dor, cheiro, sentimento, decisões e confusões. Tem o medo de ser mais da metade do ano, e nenhuma das suas resoluções de Réveillon terem dado certo. Os dias parecem ter mais do 24 horas, e não existem apenas 31 dias. São 60. Parcelados em semanas de estresse, horas de pensamento que só nos leva a contradições.
Agosto é o mês da mudança. É quando decidimos ver o que antes estava tão escondido. É quando decidimos ocultar o que há de mais verdadeiro. O azar vêm em ondas. E a sorte se resume em um único trevo, num grande campo verde. Se você achar, bem, prevejo que seu Agosto nunca rimará com "desgosto".
Diria também que, o inverno é rigoroso nessa época (apesar de não ter sido este ano), o que transforma nossas amarguras em fogo para o frio que chega. Deixamos as coisas ruins tomarem conta de nossos pensamentos e esquecemos que logo chegará setembro, com sua primavera, calor e flores. 
Para não deixar Agosto se tornar um peso em nossas costas deve-se pensar que, quando Setembro chegar, tudo ficará mais claro! Decisões não devem ser tomadas no calor da briga, no frio filosófico. Deixe as cores do próximo mês invadirem seus pensamentos, clareando suas idéias e amenizando suas dores. 
Para curar um Agosto ferrado, nada melhor do que um Setembro florido.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Só fique.


Senta. Toma um café, pede um suco. Te fiz biscoitos de chocolate, se preferir. Finge que ainda não deu teu horário, fica mais quinze minutos. Me deixa fazer aquela cena, te segurando apertado e te beijando, pedindo pra você não ir. Depois eu me aconchego no edredom e durmo o dia inteiro. Até quase a hora da sua chegada, quando me arrumo e fico linda a sua espera. Mas não vai. Tira o dia pra nós dois e vem ver como as gotas de chuva escorrem pela janela.
Faço um coração no vidro embaçado, você ri. Mas meus olhos ficam tão embaçados quanto, quando você vai embora, e desaparece, e eu fico preocupada, e quando eu quero teu abraço naqueles dias chatos. Quer assistir um filme? Ouvir uma música? Dançar na chuva, deixando minha maquiagem escorrer? Finge não conhecer minha ansiedade e me faz uma surpresa. Quero tanto tuas mãos nos minhas, e teus olhos descansando sobre os meus.
Éramos tão sós, tão acostumados a viver em uma solidão a dois. E agora estamos aqui, vivenciando incertezas e sorrindo pra cada oportunidade de estarmos juntos. Seu passado já não mais me importa, temos tantas outras coisas em jogo. Eu só quero descansar minha cabeça sobre o teu peito, e a ter a certeza, por alguns minutos, que não existe lugar melhor no mundo. Então fique, e continue permitindo seu corpo aquecer o meu, enquanto o inverno desaparece aos poucos.


♪ "Wake you up
In the middle of the night to say
I will never walk away again
I'm never gonna leave this bed" ♫


sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A Obviedade da Romancista.


Gostaria de iniciar este texto como se inicia um livro: poetizando, contando detalhes do ambiente e detalhes íntimos da alma dos personagens. Mas não é bem assim, pois ela é simples.  Simples, um tanto doce demais e metida a intelectual. Você tenta ter uma conversa divertida, faz umas brincadeiras e a moça te dá apenas um sorriso meia boca e volta para o seu jornal. Mas, quando menos espera, ela traz uma piada que te faz ter crise de riso e dizer para si mesmo “por que não pensei nisto antes?”. Óbvia, óbvia, óbvia. Não seria grande inspiração para nenhum dos autores que ela tanto admira, apenas mais uma fã de beleza singular. Não tem força nem determinação para ser a personagem principal. Faz um drama que deveria leva-la para o maior prêmio da TV mexicana. Age como se fosse independente, mas passa o dia inteiro olhando o celular, esperando uma chamada, sms ou qualquer sinal de vida. Tão normal como qualquer outra que cruza com você pela rua. É exatamente uma única coisa: Ela.
Você tenta acompanhar aquele ritmo, aquela vida, tenta entender o que passa por dentro, mas a cada momento ela muda as atitudes. Ontem brincalhona e carismática, hoje apenas distante. Um tanto fria durante todo o mês e, do nada, vira a maior romântica da literatura brasileira desconhecida. Não é paixão, é só aquele começo gostoso, ela te disse isto. Mas ela te diz tantas coisas só para enfeitar o que realmente é e te fazer querer ficar mais um pouco. Fica, tem café gelado, sorriso espontâneo, uma quantidade grande de livros e um coração bonzinho. Ela não faz mal a nem uma barata, acha mesmo que faria mal a você?
Seu ombro parece o lugar mais reconfortante que existe. Outros tantos fizeram o mesmo que você: encontraram o encaixo perfeito no vão entre pescoço, e aqueceram aquelas orelhas com histórias enroladas que parecem que nunca vão acabar. Depois, ela silencia suas dores com um beijo que deveria ser chamado de mertiolate, o que não arde – só esquenta. Seu coração está quebrado de tanto amar errado, de tanto doar-se e receber tão pouco em troca, ela traz a cola, a saliva, o super bonder; e lá vai você, feliz outra vez. 
Quanto aquela, que usa seu carinho e paciência no lugar de anestesias e curativos para corações partidos, está sempre usando seus sorrisos mentirosos. Na esperança de que alguém tenha a capacidade de enxergar, bem no fundo das pupilas dilatadas e por trás das olheiras mal maquiadas, que ali também pode haver um bom lugar para um repouso demorado. E fazer a deste repouso, uma morada. Saber que a medida perfeita para ombros tão confortáveis pode ser ainda mais aproveitoso. Saber que alem do café gelado, também existem biscoitos amanteigados e um bolo de maçã com casca. Que os sorrisos tão falsos, mas belos, ficam ainda mais bonitos quando são sorrisos sinceros.
Porque ela está cansada de usar frases de filmes complicados para tentar exemplificar seus sentimentos exagerados. Cansa ser uma das pessoas substitutas de Elizabethtown. Cansa ser o Tom de 500 Dias Com Ela, criando uma expectativa tão diferente da realidade, e abusando de músicas clichês do The Smiths. Sabendo que o filme mais próximo do que ela pensa sobre o amor é Closer, e isto não é bom. 
Se ela se perde num mundo de livros, filmes, músicas e quadrinhos, já deveria saber que nada dura. Só que não.